
De vez em sempre, eu me acho tão idiota, tão ignorante, que sinto que todas as pessoas que eu realmente amo vão sumir de perto de mim em um estalar de dedos, mas não porque elas querem, e sim porque eu sempre faço isso acontecer. talvez seja um carma.. não sei, apenas sei que sempre faço tudo e todos se repelirem de mim. É incrível isso! Tão incrível que de vez em quando eu acho graça, haha. Mas não, não é pra achar graça, é pra achar pena. Tenho nojo de mim, vergonha, não suporto mais esse corpo com cheiro de desgraça. Essa mente que já se passaram coisas horrorosas. Esses olhos que já presenciaram coisas terríveis. Pode ser que um dia eu aprenda a controlar eu mesmo, a progredir ao invés de regredir, talvez eu ache que tudo isso é passageiro, mas não. Sinto que aqui dentro só merece solidão e trevas. Não mereço realmente o amor de ninguém, apenas o desapego, a realidade. mas só de pensar em ter você longe de mim. Em não te ligar e nem ficar 3 horas com você no telefone todo dia, muito menos em não ver sua face novamente, em não ver seu sorriso, não te abraçar, não te beijar, nem ao menos dizer que te amo. Isso sim é triste. Não sabia que monstros pudessem sentir alguma coisa, sério. Não sabia mesmo, não era do meu conceito saber que esse tipo de criaturas pudessem sentir algo que fosse destinado a outra pessoa além delas mesmo. Mas, na verdade, sinto medo. Medo do que possa acontecer, do que eu possa fazer com você, comigo, com nós mesmos. Eu tenho medo de mim, é muito difícil e complicado falar isso... mas eu tenho medo de mim. Para finalizar essa postagem super contraditória, vou colocar um trecho de uma poesia do mestre Drummond. Uma boa semana para todos, muito obrigado Blog por me acompanhar nesses momentos mais tensos da minha vida e até a próxima postagem, amigos.
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.
(Carlos Drummond de Andrade)
